Inicialmente, o músico havia pensado em reescrever Floresta do Amazonas. Mas lançou o Villa’s Voz (Delira Música), que reúne 10 peças do mestre brasileiro
Bruce Henri já pensa em produzir segundo volume
Eduardo Tristão Girão EM Cultura
Baixista, compositor e cantor, o norte-americano Bruce Henri teve a ideia de reinterpretar a obra de Villa-Lobos em 2007, ano em que se comemoraram os 120 anos de nascimento do mestre. Mas só agora, quando se completam 50 anos de sua morte, o músico conseguiu lançar Villa’s voz (Delira Música), que reúne 10 peças do mestre brasileiro, quatro delas da ópera Floresta do Amazonas. Bruce, que assina todos os arranjos, obteve resultado primoroso, unindo elementos eruditos e populares.
“Sempre misturei minhas influências, como jazz, rock, clássico, blues e tudo mais o que estudei a vida inteira”, conta Bruce Henri, radicado no Brasil desde 1971. “Prefiro misturar ingredientes que já existem a plantar uma nova semente, me dá mais prazer, pois começo de referências que conheço. Escuto muita coisa linda e sinto vontade de me apropriar de tudo isso. Mas, é claro, dando meu toque.” Segundo o baixista, o disco foi gravado praticamente sem ensaio, o que privilegiou a espontaneidade das soluções musicais.
Inicialmente, o músico havia pensado em reescrever Floresta do Amazonas. “Juntaria a música com balé contemporâneo, mas vi que seria ambicioso demais reunir músicos de jazz e bailarinos, pelo menos nesse primeiro momento do projeto. Comecei então a pegar outras músicas do Villa-Lobos que já conhecia e que me foram apresentadas”, conta ele. Bruce revela ainda que já dispõe de material para um provável segundo volume.
“Tenho bastante intimidade com o repertório de Villa-Lobos. Toquei muitos anos com a pianista clássica Fernanda Canaud. Já rodamos bastante em duo pelo Brasil e Europa. Tocávamos, além de Villa-Lobos, muitos outros compositores. Porém, eu não havia transcrito tantas músicas. Agora, me dei algumas liberdades, como alterar compassos e prolongar algumas notas”, observa.
O repertório de Villa’s voz é aberto com o Prelúdio nº 3 e prossegue com Cair da tarde, peça de Floresta do Amazonas, da qual o baixista também extraiu Canção do amor, Melodia sentimental e Veleiros. De Pequena suíte, recriou os movimentos Legendária, Fugato all’antica e Melodia. Por fim, Bruce incluiu Tristorosa e O canto do cisne negro. Bruce foi acompanhado por Fernando Moraes (piano), Ricardo Costa (bateria e percussão), Leo Ortiz (violino), Jessé Sadoc (trumpete e flugelhorn), Jorge Pardo (solo de flauta) e David Ganc (naipe de flautas).