Boletim Encontro Nacional da Música Independente

16 de Abril de 2008 @ 13:14 por M. Pera

1º Encontro Nacional de Música Independente

No último fim de semana, em Curitiba, com o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e da Rádio e Televisão Educativas do Paraná, realizou-se o 1º Encontro Nacional de Música
Independente, convocado pela ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), AMAR (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes) e UBC (União Brasileira de Compositores).

Além dos dirigentes de cada uma destas entidades, estiveram no Encontro representantes de rádios públicas de Aracajú, Belo Horizonte, Brasília e Salvador, advogados especialistas em Direito Autoral, os
jornalistas Mauro Dias e esta que ora escreve, a cantora Ana de Hollanda e os músicos e compositores Edmundo Souto, Ednardo, Léa Freire, Luciana Rabello, Nei Lopes e Ruy Quaresma, entre outros.

Durante o Encontro foram discutidas as questões que envolvem a produção de música independente no Brasil, principalmente no que diz respeito às dificuldades de distribuição e difusão enfrentadas por esta
que tem sido o principal suporte da qualidade daquilo que se cria musicalmente no País.

Para que se tenha uma idéia do massacre a que a produção independente tem sido constantemente submetida, peço ao leitor a atenção ao que se segue.

Em 2007, as quatro gravadoras multinacionais que atuam no Brasil lançaram, no total, 130 novos discos, dos quais, 75 são licenciamentos de música estrangeira. A EMI lançou 9 novos títulos nacionais e 11 licenciamentos; a Sony-BMG, 17 nacionais e 25 licenciamentos; a Universal, 24 nacionais e 25 licenciamentos; e a Warner, 5 nacionais e 14 licenciamentos.

Enquanto isso, 63 gravadoras independentes lançaram 784 novos discos. Estão excluídos deste número aquelas que trabalham principalmente com licenciamentos internacionais e os músicos que se
auto produzem, estes últimos pela impossibilidade de ser contabilizados.

No entanto, a grande indústria do disco ocupou 87,37% do espaço das rádios comerciais brasileiras, contra apenas 9,82% do espaço dado à música produzida pelas independentes. O cálculo final não fecha em 100% porque os dados referentes à gravadora Som Livre não estão contabilizados. Mas, os números disponíveis são eloqüentes e falam por si.

A relação inversamente proporcional entre produção e veiculação é, no mínimo, perversa e revela os mecanismos nada honestos utilizados, de um lado, pela grande indústria e, de outro, pelas emissoras comerciais que vendem seu espaço, forjam o “sucesso” e, como se isso não bastasse, não pagam os direitos autorais. Mais da metade das emissoras comerciais brasileiras não está cumprindo seus deveres em relação ao ECAD. Ou seja, estão fora da lei, motivo mais do que suficiente para que
suas concessões sejam cassadas.

Temos, assim, um modelo em que impera a ditadura do mercado em detrimento da cultura e da identidade nacionais e no qual, normalmente, o mau gosto impera. Diante deste triste cenário e depois de dois dias de discussões, ora acaloradas, ora de total consenso, tal como devem ser esses encontros,
foi redigido um documento final que convido todos a ler.

Ao tratar da música – nosso mais valioso bem cultural, reconhecido em todo mundo – o documento trata, também, de ética, educação, cultura, honestidade e transparência.

CARTA DO PARANÁ - TOQUE O BRASIL

Nós, músicos e produtores fonográficos, advogados, jornalistas, comunicadores e emissoras públicas de todo o Brasil, reunidos em Curitiba, nos dias 11 a 13 de abril de 2008, sob convocação da ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), AMAR (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes), UBC (União Brasileira de Compositores) e Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e da Rádio e Televisão Educativa do Paraná, refletimos sobre a atual situação da música independente brasileira e afirmamos a manutenção do termo Produção Independente como fator de diferenciação em relação à produção massificada.

Entendemos que o cenário musical brasileiro atravessa um momento esplendoroso e pujante da criação e produção musicais. No entanto, sofremos há tempos com a prática de mercado que domina o
setor. Preocupa-nos a falta de políticas públicas de fortalecimento do setor musical, relegado a uma ditadura de mercado, que define uma estética própria, de qualidade e gosto que julgamos duvidosos, baseada na obtenção do maior lucro pelo menor custo de produção, imposta de forma homogênea para todo o Brasil. Trata-se de um modelo nocivo aos interesses nacionais, que reduz a difusão da produção musical genuinamente brasileira, ignorando inclusive nossas riquezas regionais.

Entre tantos dados exaustivamente analisados, destacamos um exemplo desse descaso com a cultura nacional: durante o ano de 2007, as quatro gravadoras multinacionais que operam no Brasil produziram
apenas 130 títulos. Destes, 75 são licenciamentos de música estrangeira e apenas 55 de produção nacional. No mesmo período, 63 gravadoras nacionais independentes colocaram no mercado 784 títulos novos.

De modo inversamente proporcional, a produção de música independente nacional ocupou apenas 9,82% do espaço de veiculação musical, contra 87,37% do espaço ocupado pela produção da indústria
multinacional nas rádios comerciais de todo o País. Trata-se da imposição de um modelo de dominação cultural e monopolização do mercado da música que leva ao empobrecimento da cultura brasileira. Por meio da redução da pluralidade e diversidade de estilos e gêneros registra-se um rebaixamento da música, assim como de toda produção cultural nacional, a simples produtos descartáveis, exatamente num país reconhecido mundialmente pela exuberância de seu tesouro musical.

Para democratizar o acesso à música profissional de qualidade, garantindo o desenvolvimento da cultura nacional em base à cidadania, à ética e ao respeito aos valores mais nobres de uma sociedade,
convocamos as autoridades brasileiras e a sociedade de um modo geral a refletir sobre e a apoiar os seguintes encaminhamentos:

AOS GOVERNANTES:
1. Repudiar e combater como crime a prática do “jabá” (veiculação musical paga aos meios de comunicação) como um ato lesivo à cultura nacional.
2. Desenvolver um mecanismo de aquisição pública da produção independente de música brasileira, para uso nas bibliotecas, acervos e escolas públicas como forma de desenvolver e estimular a
educação musical do povo brasileiro.
3. Pelo mesmo motivo, implantar e desenvolver a educação musical nas escolas de todo o país, como disciplina do currículo.
4. Criar uma política de Estado em defesa dos acervos das editoras musicais brasileiras, através do IPHAN, para impedir a absorção dos catálogos nacionais por grupos estrangeiros.
5. Assumir a defesa intransigente da lei dos direitos autorais.
6. Exigir que os órgãos públicos só possam veicular anúncio publicitário, campanha pública ou outra forma de veiculação que possibilite o repasse de recursos públicos em emissoras que estejam em dia com suas obrigações legais em relação aos direitos autorais.
7. Condicionar a manutenção e renovação das concessões públicas ao fiel cumprimento da legislação, particularmente no que diz respeito ao recolhimento de direitos autorais.
8. Criar mecanismos que garantam a diversidade e regionalidade na veiculação de toda a produção musical brasileira nos meios de comunicação em geral, de acordo com os artigos 221 e 222 da
Constituição Brasileira.

AOS ARTISTAS E À SOCIEDADE BRASILEIRA:
1. Criar um banco de dados sonoros, em suporte digital, sistematizando um repertório nacional de música independente, destinado à sua difusão especialmente para as emissoras das redes públicas de
comunicação.
2. Apoiar a PEC, em tramitação no Congresso Nacional, que cria a imunidade tributária para a música brasileira, como forma de reconhecimento do seu papel educativo e primordial para a identidade cultural brasileira, assim como já é feito com a produção editorial.
3. Apoiar a criação, fortalecimento e expansão em sinal aberto dos sistemas público e estatal de comunicação, como forma de garantir a democracia informativa no país, e cobrar que tais emissoras se
comprometam a ser agentes da difusão da cultura nacional, respeitando e valorizando a cultura regional.
4. Manifestar apoio ao ECAD, condenando toda campanha iniciada como forma de enfraquecer esta organização, conquista dos artistas brasileiros, e ao mesmo tempo contribuir para que a instituição
amplie e aperfeiçoe seus mecanismos de transparência e eficiência. Para dar continuidade aos temas tratados neste encontro, os presentes decidiram manter esta forma de organização e, para isso,
formar um grupo de trabalho, composto por representantes das entidades organizadoras deste encontro e outras entidades convidadas.

Curitiba, 13 de abril de 2008

Maria Luiza Kfouri, especialmente para o Music News.
15/04/2008

DIÁRIO DE BORDO - 11 de Maio de 2007

15 de Maio de 2007 @ 17:24 por M. Pera

Dôdo Ferreira (baixo), Marco Tommaso (teclados), Daniel Garcia (sax e flauta) e João Cortez (bateria) lançam o segundo autoral de Dôdo - DUM DUM - no Espírito das Artes, na Cobal do Humaitá.

A casa, recém-reformada e reinaugurada na semana que passou, foi um palco mais do que acolhedor para receber os mergulhos profundos dos arranjos de Dôdo Ferreira, relativizados pelo seu humor, improvisado e irresistível como o jazz, que fizeram da noite um espetáculo singular.

Dali, dando sequência a sua turnê mundial (como o próprio diz), Dôdo partiu para gravar sua participação no Programa do Jô, que irá ao ar na próxima quinta-feira, 17 de maio.

Para os amantes do jazz, Dôdo Ferreira supre as expectativas do público mais exigente. Basta ler a crítica do expert Luiz Orlando Carneiro, publicada neste site, no menu ‘na mídia’.

Até a próxima!

Esp  rito das Artes menor - Esp  rito das Artes menor

DIÁRIO DE BORDO - 03 de Maio de 2007

4 de Maio de 2007 @ 16:24 por M. Pera

Nas fotos abaixo, Álamo Leal, Mauricio Sahady e Blues Groovers, que abriram a noite no Estrela da Lapa.
Em seguida, os protagonistas da noite, que lançam o CD “Viva Muddy Waters”, comemorando 20 anos de carreira, o Blues Etílicos.

Com uma presença vocal incomum e uma tranquilidade no palco de quem tem muitos anos de estrada, o cantor e guitarrista Álamo Leal fez abrir as cortinas para o time Delira Blues. Primeiro, solo, violão e voz, e depois acompanhado do trio Blues Groovers, o filho pródigo que viveu por mais de três décadas na Inglaterra, e de lá trouxe sotaque, mostrou em apenas três canções que voltou ao Brasil para brilhar.

Mauricio Sahady, precursor do blues nacional, guitarrista de Niterói, ainda traz muitas cartas na manga. Canhoto, tocando uma gibson semi-acústica, e solando-a com os dedos… imagem que só pela plástica do manejo poderia vir sem som. Mas, ao vir o som… uau! Uma figura carismática e singular. E um artista completo!

Aliás, Blues Groovers é um trio formado pelo Otávio Rocha (guitarra), que dobrou a noite (tem que ver como funciona isso no sindicato, Otávio) pois também trabalha no Blues Etílicos, Beto Werther (bateria) e Ugo Perrotta (baixo), ambos entrosadíssimos graças ao tempo que conviveram no Big Alambick, nos idos dos anos 90. A história ali é um som redondíssimo, onde tudo se ouve, o que traz grande prazer aos amantes da música, seja ela qual for. E vamos aguardar que o trio ficou de gravar um disco!

Foi aí que o povo se aglutinou no pé do palco para rever os velhos conhecidos Blues Etílicos, adorados pelos fãs de blues e ícones do gênero no Brasil. Com um astral elevadíssimo que contagiou a noite, o quinteto hipnotizou o público com um repertório exclusivamente inspirado em Muddy Waters, tema de seu disco. A exceção não é uma exceção, a rigor: antes do bis, a banda tocou a instrumental “Águas Barrentas”, tradução literal de “Muddy Waters”, com direito ao clássico solo de Pedro Strasser. E assim a noite caiu, com aquela aura de vitória e esperança que nos lembra o que é felicidade…

Até a próxima!

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Hamleto Stamato Trio no Prêmio TIM 2007

24 de Abril de 2007 @ 15:13 por M. Pera

HAMLETO STAMATO TRIO É INDICADO AO PRÊMIO TIM DE MÚSICA 2007 POR SEU ‘SPEED SAMBA JAZZ’

Hamleto Stamato Jr., pianista, compositor, arranjador e produtor, é filho do brilhante saxofonista e flautista Hamleto Stamato, que formava o conjunto de Hermeto Pascoal na década de 70. Em 1988, tornou-se profissional, sendo logo reconhecido como um dos mais promissores pianistas da nova geração. Seu percurso começou em shows fora do Brasil. Tocou com Claudia Telles, Marisa Gata Mansa, Tim Maia, Danilo Caymmi; com Rosa Passos, viajou em turnês pela Venezuela, Espanha, Suécia e Dinamarca. Tocou em Moscou, no Free Jazz Festival e no Queen’s Theater em Nova Iorque. Em parceria com o produtor Paulo Henrique Castanheira vem, desde 1995, assinando grandes produções na TV Globo, como Criança Esperança, Fama, Estação Globo, Brasil 500 anos (Shows ao vivo na França durante a Copa do Mundo em 1998 e em Brasília em 2000), transmitidos para o Brasil e outros países da América Latina.

Em 2003, lançou seu primeiro disco solo, Speed Samba Jazz, onde resgatava o formato de trio, eternizado pelo lendário baterista Milton Banana. A resposta da crítica e do público foi tão boa que Speed Samba Jazz se transformou em uma trilogia, completada com esta indicação ao Prêmio TIM 2007.

Speed Samba Jazz 3 (Delira Música), lançado em 2006, traz no baixo Ney Conceição e na bateria Erivelton Silva. Indicado ao Prêmio Tim de Música na categoria “Melhor Grupo Instrumental”, Hamleto Stamato Trio se apresenta no próximo dia 17 de maio interpretando o repertório deste último CD (confira na agenda).

Why Not (Michel Camilo), Café com pão (João Donato), Melancia (Rique Pantoja), Nothing Personal (Don Grolnick) e De Bem com a Vida (Alberto Rosemblit) são algumas músicas do repertório, com arranjos de Hamleto Stamato em versões aceleradas no mais puro samba jazz.

HAMLETO TRIO COR low - HAMLETO TRIO COR low

DIÁRIO DE BORDO - 14 de Abril de 2007

17 de Abril de 2007 @ 14:19 por M. Pera

Nas sessões finais para o disco de inéditas de Mauricio Einhorn, gravam os metais Aldivas Ayres, Marcelo Martins, Idriss Boudrioua e Jessé Sadoc.
Nas fotos abaixo, os instrumentistas sopram as notas no ar, arranjadas pelo trompetista Jessé.
Esse disco reúne algumas das maiores estrelas da cena instrumental brasileira.
Até a próxima!

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O GLOBO - 06 de Abril de 2007 (Antonio Carlos Miguel)

9 de Abril de 2007 @ 15:49 por M. Pera

Mestre de samba-jazz, Mauricio Einhorn volta com dois CDs, um ao vivo e outro com temas inéditos.

É dele a frase, popularizada nos anos 70 por Tom Jobim, que dizia que a saída para o músico brasileiro estava no Aeroporto do Galeão. Mas, com exceção de breve período nos EUA, a convite de Sérgio Mendes, em 1972, e de eventuais shows na Europa, o carioca Mauricio Einhorn não seguiu sua máxima. - Eu estava prestes a conseguir um visto de trabalho, tinha uma carta de Frank Sinatra ao governo americano intercedendo por mim, mas problemas particulares me fizeram voltar ao Brasil. - lembra Einhorn, que conseguiu a carta de Sinatra graças ao letrista preferido da “Voz”, Sammy Cahn. Perto dos seus 75 anos de vida (que completará em 29 de maio), e 60 como profissional da gaita, ele pretende comemorar as duas datas com muita música. No estúdio do tecladista e produtor Ricardo Leão, na Barra da Tijuca, Einhorn trabalha num disco que, além do virtuose da gaita, mostra o grande compositor, co-autor (ao lado de parceiros como Durval Ferreira, Bebeto Castilho e Regina Werneck) de canções que estão entre os clássicos do samba-jazz como “Batida diferente”, “Estamos aí”, “Tristeza de nós dois”, “Nuvem” e “Sambablues”. - Mas nesse disco, para o qual ainda não temos título definido, só vou gravar músicas inéditas, são 12 faixas - diz Einhorn, que acumula cerca de 350 composições, das quais não mais do que 40 foram registradas em disco.

*Gravadora Delira vai lançar dois discos de Einhorn*
Sua gravadora, a independente Delira Música, também programa um segundo volume do disco “Conversa de amigos”, do Mauricio Einhorn Quarteto, gravado ao vivo em julho de 2002, num tributo aos 80 anos que Toots Thielemans completava na época o primeiro volume foi editado há dois anos, e, ao lado do pianista Alberto Chimelli, do baixista Luiz Alves e do baterista João Cortez, Einhorn interpreta standards que estão no repertório do gaitista belga. - Como eu dizia nos shows, escolhemos clássicos que Toots gravou e também alguns que ele deveria ter gravado. É realmente o maior gaitista do mundo. Me correspondo com ele desde 1962, e quase desisti da gaita quando o vi ao vivo pela primeira vez. Mas percebi que estava sendo radical, e que eu tinha algo pessoal, o balanço da música brasileira. Filho de judeus austríacos, Einhorn aprendeu o instrumento ainda criança, com seus pais. Na adolescência, participou de programas de calouros, e, em 1947, aos 15 anos, foi contratado pelo programa das Gaitas Hering, na Rádio Tupi. - Além da música brasileira da época, ouvia jazz, orquestras como as de Glenn Miller e Tommy Dorsey - conta Einhorn, que, em meados dos anos 50, passou a participar das canjas no bar do Hotel Plaza, em Copacabana, onde se apresentavam os pianistas Luiz Eça e Johnny Alf, e juntou-se aos músicos que modernizaram a canção brasileira. - Depois também estudei com Moacir Santos e comecei a compor e a gravar. Pelas suas contas, Maurício Einhorn fez 2.500 participações em discos, incluindo trabalhos com Baden Powell (no clássico disco “Tempo feliz”), Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Vitor Assis Brasil, Chico Buarque, Claudete Soares, Gilberto Gil, Eumir Deodato, João Donato, Sebastião Tapajós, Gilson Peranzzetta, Hermeto Pascoal, Jim Hall, Ron Carter, David Sanborn, Monty Alexander e Toots Thielemans.

*César Camargo Mariano fez seis arranjos no disco *
No disco de inéditas, seis das faixas com arranjos do pianista César Camargo Mariano - Não é pelo fato de eu estar na frente dele, mas César é o melhor arranjador desse planeta - desmancha-se Einhorn -, brilha tanto o gaitista quanto o compositor. - Procurei realçar o lirismo de Einhorn, que é um impressionante melodista. Eu já tinha encontrado com ele em shows, mas nunca tínhamos trabalhado juntos em estúdio - conta Mariano, que, residindo em Nova Jersey, passou duas semanas no Rio dedicado às sessões desse disco. - Eu tinha recebido as demos pela internet e vim para o Brasil com os arranjos prontos. Ao lado de Einhorn e de Mariano está uma banda formada por Marcelo Mariano (baixo), Jurim Moreira (bateria), Armando Marçal (percussão) e Ricardo Silveira (guitarra). Também participam do disco instrumentistas como Vittor Santos (trombone e arranjos de dois temas) e Jessé Sadoc (trompete): - Cheguei a chorar ao ouvir essa garotada. Trabalhar com esses novos e tão bons músicos foi um grande presente - diz Einhorn, que já tem data marcada para o show de lançamento dos discos, 12 de julho, na Sala Cecilia Meireles.

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DIÁRIO DE BORDO - 02 de Abril de 2007

3 de Abril de 2007 @ 18:53 por M. Pera

Mauricio Einhorn, César Camargo Mariano, Ricardo Leão, Ricardo Silveira, Marcelo Mariano, Jurim Moreira, Jessé Sadoc, Marcelo Martins, Leo Gandelman, Armando Marçal…
Esta é uma amostra do time que grava neste momento o CD autoral do mestre Mauricio Einhorn. César Camargo Mariano veio especialmente de Nova York para participar do projeto e fez aranjos para metade do disco, que tem produção de Ricardo Leão e sai pela Delira Música em junho.
Ainda irão se unir a este time Ney Conceição, Vitor Santos, Rafael Barata, Alberto Chimelli, Idriss Boudrioua e outros. A data do lançamento é 12 de julho na Sala Cecília Meirelles.
Mauricio tece lindíssimos temas, todos de autoria própria, com vários parceiros, na sua gaita inconfundível; e mostra que a boa música não morre e não esmorece.
Abaixo, fotos da gravação…
Até a próxima!

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Dôdo Ferreira faz uma delicada e musical sessão de análise em “DUM DUM”

28 de Março de 2007 @ 19:18 por M. Pera

(por Luís Felipe Reis)

Dôdo Ferreira iniciou seus estudos de contrabaixo em 1976 com o tcheco Rudolf Krouppa e logo começou a acompanhar renomados artistas da MPB. Em sua trajetória musical sobram referências e trabalhos. Dôdo gravou com artistas dos mais diversos calibres e tendências, como Paulo Moura & Martinho da Vila, Celso Blues Boy & B.B. King, Marcelo D2, e outros. Durante seis anos fez a direção musical do irreverente grupo “João Penca e seus Miquinhos Amestrados” e participou de turnês com Adriana Calcanhoto, Roberto Menescal, Miele e Wanda Sá. Ao lado de Tim Rescala, desde 1982 trabalha em gravações, peças teatrais e programas de TV.

Para a gravação de “Dum Dum”, seu segundo trabalho autoral (o primeiro foi Farofablues de 1993) o músico se apoiou no chamado interplay: “Sempre valorizei a capacidade de comunicação entres os músicos”. Assim, apostando na espontaneidade dos músicos que formam seu quarteto – Daniel Garcia (saxes e flauta), Marcos Tommaso (piano) e Pedro Strasser (bateria) – o disco capta a essência de uma apresentação ao vivo, com a gravação dos quatro instrumentos simultaneamente.

Como Charles Mingus, – maior ícone do contra-baixo jazzístico – Dôdo tem ligação estreita com a psicanálise, e faz de “Dum Dum” um “álbum-exercício” de auto-análise e homenagens pessoais. Passagens marcantes de sua vida são retratadas e dedicadas em forma de canção, a pessoas como seu pai – em “Cradle Song” – e à psicanálise de Lacan – “José no tempo lógico”. A belíssima e tristonha “O incrível Hulk” também rende homenagens, e, segundo ele, “foi composta sob uma atmosfera de perplexidade e dor”, após tomar conhecimento da morte do amigo e contra-baixista Maurício “Hulk” de Almeida.

Horas no mais puro jazz, outras transitando em blues atípicos, o contra-baixo de Dôdo constantemente reverencia a música brasileira e seus grandes compositores. Assim, o músico desenlaça texturas musicais brilhantes, em um álbum que revela a cada faixa seu rico universo particular. “Dum Dum” – forma como se refere ao som do contra-baixo – é simples e belo, como o nome. Um disco profundamente delicado e lúdico, guiado por fortes sentimentos, transcritos através de terapêuticas notas musicais.

Dum Dum baixa - Dum Dum baixa

DIÁRIO DE BORDO - 22 de Março de 2007

22 de Março de 2007 @ 16:50 por M. Pera

E segue nossa aventura blueseira…
No dia 03 de maio tem selo Delira Blues em festa no Estrela da Lapa, Rio de Janeiro.
A abertura da noite fica por conta de Álamo Leal, Mauricio Sahady e Blues Groovers, artistas que irão lançar trabalhos ainda em 2007.
No show principal, nada melhor que o nome mais significativo da história do blues brasileiro - Blues Etílicos - que lança o CD-Tributo “Viva Muddy Waters”.
Os rapazes atingiram uma impressionante maturidade no gênero, e dominam a linguagem com extrema destreza e propriedade. Aliaram-se ao estudio de Amleto Barboni, em São Paulo, e alcançaram uma sonoridade na gravação que podemos chamar de um “choque nos incautos”, parafraseando o amigo Adalto Alves, jornalista de Goiânia.
A foto abaixo está no encarte do CD, que traz ainda uma faixa bônus exclusiva para ser baixada no site www.deliramusica.com.

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DIÁRIO DE BORDO - 10 de Março de 2007

12 de Março de 2007 @ 11:11 por M. Pera

Neste sábado, estive acompanhando em Penedo-RJ a apresentação de um francês chamado Bernard Fines no Village, um clube de jazz que funciona dentro da pousada Pequena Suécia.
A primeira dica é conhecer o lugar, que tem programação musical variada e de bom gosto todas as sextas e sábados, inclusive fora da temporada. A pousada Pequena Suécia é especial, tem um serviço de primeira, uma cozinha surpreendente e uma boa carta de vinhos.
Outra dica é obviamente ir a Penedo. Tão perto aqui do Rio, um lugar muito charmoso, e pouco visitado pelos cariocas. Duas ou duas horas e meia de viagem.
Bernard Fines foi acompanhado pelo Julio Bittencourt Trio, formado por músicos de Cruzeiro-SP. Na verdade os irmãos Julio e Luciano, bateria e guitarra respectivamente, têm uma escola de música e estúdio em Cruzeiro. O baixista é um velho conhecido meu aqui do Rio, que foi-se para aquelas bandas, o B.J. Bentes.
O trio, que me lembrou em muitos momentos o trabalho do Joe Pizzarelli, arrisca um bocado, o que é sempre bom de se ver, principalmente quando se está costumado à boa parte dos músicos de jazz tocando de forma burocrática.
Bernard Fines é um personagem à parte. O intérprete de belo timbre vocal fica muito à vontade na sua língua pátria e despeja clássicos da música francesa com arranjos de jazz empolgantes. Arrisca standards em versões em francês justas e acertadas. Uma surpresa e tanto! Que mais pessoas possam desfrutar desta descoberta num futuro próximo.
Até a próxima!

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