Dôdo Ferreira faz uma delicada e musical sessão de análise em “DUM DUM”

(por Luís Felipe Reis)

Dôdo Ferreira iniciou seus estudos de contrabaixo em 1976 com o tcheco Rudolf Krouppa e logo começou a acompanhar renomados artistas da MPB. Em sua trajetória musical sobram referências e trabalhos. Dôdo gravou com artistas dos mais diversos calibres e tendências, como Paulo Moura & Martinho da Vila, Celso Blues Boy & B.B. King, Marcelo D2, e outros. Durante seis anos fez a direção musical do irreverente grupo “João Penca e seus Miquinhos Amestrados” e participou de turnês com Adriana Calcanhoto, Roberto Menescal, Miele e Wanda Sá. Ao lado de Tim Rescala, desde 1982 trabalha em gravações, peças teatrais e programas de TV.

Para a gravação de “Dum Dum”, seu segundo trabalho autoral (o primeiro foi Farofablues de 1993) o músico se apoiou no chamado interplay: “Sempre valorizei a capacidade de comunicação entres os músicos”. Assim, apostando na espontaneidade dos músicos que formam seu quarteto – Daniel Garcia (saxes e flauta), Marcos Tommaso (piano) e Pedro Strasser (bateria) – o disco capta a essência de uma apresentação ao vivo, com a gravação dos quatro instrumentos simultaneamente.

Como Charles Mingus, – maior ícone do contra-baixo jazzístico – Dôdo tem ligação estreita com a psicanálise, e faz de “Dum Dum” um “álbum-exercício” de auto-análise e homenagens pessoais. Passagens marcantes de sua vida são retratadas e dedicadas em forma de canção, a pessoas como seu pai – em “Cradle Song” – e à psicanálise de Lacan – “José no tempo lógico”. A belíssima e tristonha “O incrível Hulk” também rende homenagens, e, segundo ele, “foi composta sob uma atmosfera de perplexidade e dor”, após tomar conhecimento da morte do amigo e contra-baixista Maurício “Hulk” de Almeida.

Horas no mais puro jazz, outras transitando em blues atípicos, o contra-baixo de Dôdo constantemente reverencia a música brasileira e seus grandes compositores. Assim, o músico desenlaça texturas musicais brilhantes, em um álbum que revela a cada faixa seu rico universo particular. “Dum Dum” – forma como se refere ao som do contra-baixo – é simples e belo, como o nome. Um disco profundamente delicado e lúdico, guiado por fortes sentimentos, transcritos através de terapêuticas notas musicais.

Dum Dum baixa - Dum Dum baixa

5 respostas para “ Dôdo Ferreira faz uma delicada e musical sessão de análise em “DUM DUM” ”

  1. otavio rocha disse:

    o dodo, meu primo por parte de mae, foi um dos primeiros caras que eu vi tocar um instrumento, eu tinha 10 e ele 14 por aih…e ele tinha um baixo rosa eu acho…aquilo ali me deu uma vontade inextinguivel de tocar tbm, tanto que até hoje estou tentando! hehe…
    mas enfim, anos mais tarde, até toquei umas faixas no primeiro cd dele,mas acho que nesse aih tem mais acordes e ele ficou com medo de me chamar!
    dodo é um grande musico e uma grande aquisiçao da delira musica!
    abraço do otavio rocha (Blues Etilicos e Blues Groovers)

  2. Rogério Lopes disse:

    Realmente, um disco de uma delicadeza ímpar.Espero que este disco alce vôos altos, porque merece.

  3. Ciça disse:

    Dôdo e Dum Dum simplesmente the best!!!

  4. Chris disse:

    O Dodô, no maior estilo capitão-de-mar-e-guerra, soube fazer, nesse oceano de sincronicidades, a corda da minha alma vibrar em consonância com a corda que ele puxou no seu DumDum, na mesma frequência e sintonia. Parabéns, meu amigo glub-glub mutante! :)

  5. Ricardo Marola disse:

    Grande músico, grande artista.
    Mais que tudo, um ser humano especial!
    Um companheiro que tive o privilégio de trabalhar e me divertir.
    Dono de uma criatividade ímpar, finalmente nos brinda com seu segundo disco solo.
    Imperdível!

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