Grupo pernambucano refresca frevo, com pitadas de pop e jazz - Estado de Minas
Eclético, o Frevo Diabo lança disco com repertório que vai de Carlos Gomes a Chico Buarque
Eduardo Tristão Girão - EM Cultura
Frevo não é só melodia alegre para dançar. Quem levanta essa bandeira são os músicos Armando Lôbo e Daniel Marques, que lideram o recém-criado Frevo Diabo, autoproclamado “primeiro grupo brasileiro, fora de Pernambuco, dedicado exclusivamente ao gênero”. O disco de estreia da banda, homônimo, é um bem-sucedido esforço para universalizar o frevo, arejando o conhecido compasso com influências do pop, rock e jazz, principalmente.
Afinal, o que o grupo toca é frevo ou não? “É frevo moderno. Da mesma forma que Villa-Lobos enxergava o choro como algo mais amplo, nos baseamos na tradição, mas estamos abertos a outras influências. Frevo não é só música de carnaval, não é só para dançar. É para fruir o ano todo, em qualquer ocasião”, responde Armando Lôbo, pernambucano radicado no Rio de Janeiro. Metade do repertório é instrumental.
Ele e Daniel Marques se conheceram quando Armando deixou o Recife para estudar composição na capital fluminense. Na escola, o pernambucano fez amizades com várias pessoas interessadas na música de seu estado e, em especial, no frevo – Daniel é um deles. “Ele foi comigo para o pré-carnaval no Recife e ficou louco. Quase virou cidadão pernambucano. Na volta, decidimos montar esse projeto, unindo nossas experiências e interesses”, conta Armando.
WAH WAH Uma guitarra distorcida aqui, camadas de metais acolá, improvisos, linhas de baixo diferentes e pedal wah wah. Assim o grupo deu coesão ao conjunto de 10 faixas de Frevo Diabo. “Usamos o frevo como ímã de outros gêneros. Quando não o trazemos castiço, usamos seus elementos. Henriquieto, do Guinga e Aldir Blanc, por exemplo, não é frevo puro. É uma composição moderna, com elementos do frevo. O que nos interessa é esse universo, mais do que o frevo restrito”, define.
No repertório do grupo também estão Frevo Guarani (livre adaptação de Armando para a ópera de Carlos Gomes), Não existe pecado ao sul do Equador (Chico Buarque e Ruy Guerra), De chapéu de sol aberto (Capiba), Último dia (Levino Ferreira), Enquanto existe carnaval (Thiago Amud), Carnaval de perneta (Daniel Marques) e três composições de Edu Lobo: Frevo Diabo (com Chico Buarque), No cordão da saideira e Frevo de Itamaracá. Entre os convidados, João Cavalcanti (voz), Nicolas Krassik (violino), Thiago Amud (voz) e Carlos Malta (sopros).